Medicina: sonho ou pesadelo?
As lágrimas, a emoção, o orgulho dos pais: passou no vestibular de medicina! Profissão nobre, lida com seres humanos, salva vidas, veste branco, da retorno financeiro, "status"!
Atenção, meus queridos pais e as centenas de milhares (ou até mais) de vestibulandos que estressados tentam - às vezes durante anos - passar para fazer o curso médico: se você não tiver a alma, o dom, o talento real, não tenha dúvida, seu sonho se tornará pesadelo em relativamente pouco tempo!
Triste, mas verdadeiro um levantamento feito pela Universidade de São Paulo (USP) há um tempo atrás, que foi implacável: após dez anos de profissão, 67% dos médicos estavam insatisfeitos com a profissão; 69% já havia apresentado ou apresentavam quadros depressivos; 87% trabalhavam mais de cem horas por semana, em média em três empregos diferentes.
Das profissões é uma das primeiras em casos de suicídio, consumo de álcool e drogas. Apenas 4% conseguem viver da clínica particular e é autônomo. O restante depende de empregos, redes públicas e convênios médicos. Ufa!
E duas especialidades estão altamente deficitárias no mercado: pediatria e psiquiatria. E após mais de 30 anos me perguntem se arrependi da minha escolha e direi: Não! Amo o que faço, mas me entristeço com o que vejo ano após ano. Jovens que buscam a medicina sem dom, talento e se tornam "técnicos em medicina", com pouco humanismo, acolhimento, compreensão das dores físicas, psíquicas, dos problemas familiares, sócio-econômicos que hoje desencadeiam a maioria das queixas que levam um paciente a buscar ajuda médica.
Percebo que atualmente apenas um em cada três candidatos a médicos tem os requisitos necessários ao exercício de uma das mais desgastantes profissões ao lado da educação. Faculdades precárias, falta de residências médicas qualificadas ajudam a piorar o caso.
E, ao meu ver, o pior: os infernais, caros, complexos e complicadores exames complementares tiraram do médico uma consulta clínica bem feita, de no mínimo 30 a 40 minutos, de ouvir seu paciente, se interessar por suas histórias. Cada vez mais os pacientes queixam: "Nem me olhou direito"; "já foi logo pedindo exames e dando a receita"; "foi mal educado, ríspido, tratou mal".
Assim, em nome dos meus grandes mestres da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) dos anos 70, dos sábios médicos de alma que ainda existem, mas correm o risco de extinção em meio a tanta ressonância, tomografia, exames laboratoriais e sei lá mais o que, lembro um ensinamento: "Em medicina, o que é comum é comuníssimo, o que é raro, é raríssimo. Nunca busquem o raríssimo no comuníssimo, pois isso representará exames demais, custo alto, diagnóstico de menos e paciente insatisfeito".
Dos meu três filhos mais velhos, graças a Deus, nenhum seguiu minha profissão. Teriam toda a comodidade de "herdar" minha estrutura, meu saber médico, mas não percebi nenhum dom.
Estão um como economista, outro como arquiteto, outra como publicitária. Esperto que sejam éticos, competentes e felizes.Eduardo Aquino
Atenção, meus queridos pais e as centenas de milhares (ou até mais) de vestibulandos que estressados tentam - às vezes durante anos - passar para fazer o curso médico: se você não tiver a alma, o dom, o talento real, não tenha dúvida, seu sonho se tornará pesadelo em relativamente pouco tempo!
Triste, mas verdadeiro um levantamento feito pela Universidade de São Paulo (USP) há um tempo atrás, que foi implacável: após dez anos de profissão, 67% dos médicos estavam insatisfeitos com a profissão; 69% já havia apresentado ou apresentavam quadros depressivos; 87% trabalhavam mais de cem horas por semana, em média em três empregos diferentes.
Das profissões é uma das primeiras em casos de suicídio, consumo de álcool e drogas. Apenas 4% conseguem viver da clínica particular e é autônomo. O restante depende de empregos, redes públicas e convênios médicos. Ufa!
E duas especialidades estão altamente deficitárias no mercado: pediatria e psiquiatria. E após mais de 30 anos me perguntem se arrependi da minha escolha e direi: Não! Amo o que faço, mas me entristeço com o que vejo ano após ano. Jovens que buscam a medicina sem dom, talento e se tornam "técnicos em medicina", com pouco humanismo, acolhimento, compreensão das dores físicas, psíquicas, dos problemas familiares, sócio-econômicos que hoje desencadeiam a maioria das queixas que levam um paciente a buscar ajuda médica.
Percebo que atualmente apenas um em cada três candidatos a médicos tem os requisitos necessários ao exercício de uma das mais desgastantes profissões ao lado da educação. Faculdades precárias, falta de residências médicas qualificadas ajudam a piorar o caso.
E, ao meu ver, o pior: os infernais, caros, complexos e complicadores exames complementares tiraram do médico uma consulta clínica bem feita, de no mínimo 30 a 40 minutos, de ouvir seu paciente, se interessar por suas histórias. Cada vez mais os pacientes queixam: "Nem me olhou direito"; "já foi logo pedindo exames e dando a receita"; "foi mal educado, ríspido, tratou mal".
Assim, em nome dos meus grandes mestres da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) dos anos 70, dos sábios médicos de alma que ainda existem, mas correm o risco de extinção em meio a tanta ressonância, tomografia, exames laboratoriais e sei lá mais o que, lembro um ensinamento: "Em medicina, o que é comum é comuníssimo, o que é raro, é raríssimo. Nunca busquem o raríssimo no comuníssimo, pois isso representará exames demais, custo alto, diagnóstico de menos e paciente insatisfeito".
Dos meu três filhos mais velhos, graças a Deus, nenhum seguiu minha profissão. Teriam toda a comodidade de "herdar" minha estrutura, meu saber médico, mas não percebi nenhum dom.
Estão um como economista, outro como arquiteto, outra como publicitária. Esperto que sejam éticos, competentes e felizes.Eduardo Aquino
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